Amar é educar
Em um sábado ensolarado, fui
surpreendida com crianças malcriadas arrancando flores do jardim da minha casa.
Meu irmão foi correndo repreendê-las, mas elas tiveram a pior reação possível:
riram dele. Eu me perguntei “onde está a mãe destes monstrinhos?” A resposta?
Ela estava bem atrás de mim, ignorando a má conduta dos filhos, mesmo na minha
presença.
Atualmente, pais como esta mãe
são muito comuns. Eles amam demais para contrariar os filhos, por isso deixam que
eles façam o que quiserem, não importa se o desejo for tentar arrancar o rabo
do cachorro, quebrar os esmaltes da tia, subir na estante como o homem-aranha
ou brincar de corrida no meio da rua. Este amor que permite de tudo não é amor,
pois quem ama educa. Se a criança está sendo desobediente ou descortês, deve ser
repreendida. Diz um provérbio da Bíblia que “Quem poupa a vara, odeia o seu
filho; mas aquele que o ama lhe aplica a correção”. É com a correção que se
aprende a fazer escolhas certas, mas a sua falta resulta em uma série de
imagens cada vez mais comuns: jovens se drogando, dirigindo bêbados, se
prostituindo, andando sem rumo nas ruas... Filho educado por pais liberais não
conhece limites, não conhece o que é certo ou errado. Ele tende a fazer
escolhas ruins para sua vida e ter menos chance de ser plenamente feliz.
Por outro lado,
quando as iniciativas da criança são limitadas e reprovadas em demasia sem
necessidade, ela “pode crescer sentindo-se tão proibida a ponto de ela mesma
proibir-se de fazer algo.” diz o psicólogo Içami Tiba em seu livro Disciplina, limite na medida certa. A
correção imoderada cria pessoas tímidas e inseguras “porque seus pais,
excessivamente críticos, não lhes deram a segurança de ser amados, mas
aprovados ou não.” (Içami Tiba). Quem é inseguro tem muito medo de errar e ser
reprovado. Deste modo, pessoas inseguras podem até se proibir de tentar ser
feliz por medo de fracassar, o que também diminui as chances de ter uma vida
satisfatória.
O amor e a disciplina são
fundamentais para a boa educação dos filhos e para um bom relacionamento
familiar. Porém, é preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre eles, pois a falta
de correção ou o seu excesso são igualmente prejudiciais.